Arquivos Mensais: Julho 2008

entrada

Ainda nem consegui tirar minhas tralhas das caixas, e já passei por outra mudança: a LiveAD mudou de sede. Deixamos pra trás a casa da Vila Madalena que já estava parecendo um lar chinês, tamanha a falta de espaço, e tomamos conta do que um dia foi a sede da Bola, à beira da Av. 9 de Julho.

E se vocês acharam que meu quarto estava bagunçado, é porque não viram o que está a nossa nova sede nesse primeiro dia. Ali em cima, temos Perurena e Pinho a trabalhar na bancada do lobby de entrada, na bagunça que recebe quem vem nos visitar. Abaixo, temos a sala principal de trabalho, que por ora é a menos bagunçada.

principal

Nossa cozinha, em tal estado de depredação que até fazer café se tornou uma tarefa hercúlea:

cozinha

Mas mesmo com a bagunça, e a maior distância de casa (ao invés de ir a pé trabalhar, hoje tive que arcar em R$ 17 de táxi), esta nova sede tem uma grande vantagem, incansavelmente festejada por meu colega Ian Black: a vista.

vista

Desejem-nos sorte. Ah, e se quiserem ver as fotos maiores, é só clicar nelas e olhar no Flickr, em seu tamanho original.

Glock 17

Essa é uma Glock 17, sonho de consumo de longa data. Quando de minha vinda para São Paulo, ainda mais para morar em uma casa, a idéia de finalmente comprar uma tornou-se um pouco mais interessante – ainda que tenha que ser uma 25, devido às restrições de calibre no Brasil.

Pois nesta segunda-feira em que completo duas semanas na terra da garoa, tive a oportunidade de contemplar melhor as implicações deste tipo de decisão. Um filho da puta de um motoboy entrou na sede da agência (uma casa um tanto insegura na Vila Madalena), durante a tarde, e anunciou um assalto. Mandou todo mundo para o fundo da casa e, depois de um momento de indecisão – creio que por ver que tinha muita gente no local, e muitas áreas que ele não teria como cobrir sozinho -, saiu rapidamente, levando apenas o iPhone do chefe.

Ele disse estar armado. Sua linguagem corporal, e a maneira com que saiu tendo levado apenas um celular, quando tinha farto sortimento de computadores, carteiras e quetais à sua disposição, indicavam o contrário. Obviamente, ninguém chegou a pedir confirmação.

Passado o susto, e chamada a polícia (que, é importante dizer, apareceu por aqui em tempo recorde, como jamais imaginaria possível em Porto Alegre), ficou a indagação: e se eu estivesse armado? Verdade que a rapidez do cidadão não daria muito tempo para pensar em reação. Mas, pensando em retrospecto, a oportunidade existiu – ainda mais se eu não estivesse na sala imediatamente à frente da porta de entrada.

Agora, imaginem que eu realmente estivesse armado, tivesse reagido e, finalmente, matado o desgraçado. E que, depois, se descobrisse que ele, de fato, não estava armado. Vocês acham que eu estaria aqui, agora, escrevendo este post? Ou estaria preso em uma delegacia, tentando explicar o acontecido enquanto alguém achasse um advogado pra me tirar de lá?

Mas, no fim das contas, o que interessa é que já passei pelo meu primeiro assalto em São Paulo. Estatisticamente, era apenas uma questão de tempo. Espero que demore até o próximo, e possamos fazer bastante piada com esse de hoje.

Mudança_1

Quando fiz o primeiro orçamento para o envio da minha mudança para São Paulo, a empresa com a qual acabaria por fechar negócio me havia estimado 20 dias entre recolhimento e entrega. No dia em que foram à minha casa buscar e empacotar tudo, informaram que com a minha carga estariam fechando um caminhão para enviar para a capital paulista e, dessa forma, minhas coisas chegariam em, no máximo, sete dias.

Considerando todas as histórias de horror que já ouvi em relação a empresas de mudança, bem como a previsão inicial que haviam me passado, aquilo pareceu-me por demais otimista. Qual não foi minha surpresa quando, nesta segunda-feira, recebi uma ligação (ou o Gabriel, na verdade, cujo telefone eu tinha deixado como contato) informando que o caminhão estava em São Paulo e, depois das 21h, me entregariam tudo. Como pode-se ver pelas fotos, efetivamente o fizeram.

Mudança_2

Nem tudo, claro, foram flores. Algumas caixinhas de CD chegaram em estado deplorável, alguns livros estão meio tortos e tudo parece ter recebido uma generosa pátina oleosa de sujeira. E o único quadro que trouxe de Porto Alegre está, ao menos por ora, perdido.

Mas, no fim das contas, acho que o saldo foi bastante positivo. Agora, tenho meus livros, meus CDs e DVDs, minhas roupas e minha cama, de cujos resmungos metálicos eu já estava com saudades.

Obs.: importante deixar aqui um agradecimento especial ao senhor meu pai por, diante da falência de minha Maxxum 5D, ter-me cedido sua Sony α100, assim permitindo que eu volte a ter fotos para ilustrar estes posts.

vista do quarto

É engraçado como certos fatos têm um significado tão universal que, invariavelmente, despertam o mesmo tipo de reação em todas as pessoas. Faz apenas cinco dias que cheguei a São Paulo, mas já posso afirmar com razoável confiança que ir morar em outra cidade é um destes fatos. Em algum momento, todo mundo com quem falo ataca com a inescapável dúvida: “como estão as coisas?”

Como não sou papagaio para ficar repetindo a mesma coisa algumas dezenas de vezes, ou adicionando um bando de gente no cabeçalho dos e-mails, pareceu-me que a criação de mais um blog talvez fosse a maneira mais adequada de saciar a curiosidade alheia. Desta forma, e aproveitando-me de que um blog com endereço tão óbvio ainda não havia sido reclamado junto ao WordPress.com, aqui estou.

Mas e aí, como estão as coisas?
O pior desta situação toda – e razão para ter enrolado por dois parágrafos – é não ter muito o que contar. Desde que cheguei, minha rotina tem sido casa-trabalho-casa, com uma única exceção aberta na última quinta-feira para ir à Tok&Stok comprar um suporte para cortina de banheiro, bem como a própria.

Inclusive, outra notícia que tenho é que minha câmera digital, já há algum tempo reticente, resolveu desistir de funcionar depois apenas da terceira foto tirada após a minha chegada, de maneira que a única coisa que se salvou foi a imagem a ilustrar este post, tirada pela janela do meu quarto.

Assim, por ora, o máximo que posso oferecer a quem ainda não veio me visitar é uma breve descrição de onde vim parar. Estou morando em uma bela e enorme casa na Vila Madalena (pertinho do horrendo Instituto Tommie Ohtake), com mais três roomies: Gabriel – colega na LiveAd -, Guilherme – colega de Grupo Box – e Carol – amiga de ambos que não conhecia antes de vir pra cá. Moro, como fazia em Porto Alegre, numa edícula, podendo escolher mais facilmente entre a privacidade e quietude do meu quarto, e a socialização e diversão do resto da casa.

Estamos, todos, ainda em processo de mudanças, e a casa está em constante estado de mutação. Não é raro voltar do trabalho e descobrir a chegada de um enorme sofá e conseqüente redecoração de toda a sala de estar. Ou mesmo de uma gata, de propriedade da Carol e que, de maneira relutante, começa a se tornar parte de nosso dia-a-dia (e por minha insistência em combater sua relutância, ela já me condecorou com alguns vários arranhões nas mãos).

Hoje de manhã, como parte do trabalho, fui à USP para acompanhar os treinos gratuitos que a Nike está oferecendo para quem quiser se preparar para correr a Human Race no dia 31/08. Aos poucos, vou me encontrando geograficamente, conhecendo as redondezas e os meios de transporte, e descobrindo São Paulo. Com sorte, em breve, terei coisas realmente legais para lhes contar. Então, até lá.