Arquivos Mensais: Setembro 2008

Mesmo quando ainda não tinha um notebook, sempre tive problemas para me sentir confortável usando um computador. Como a distância ideal para o monitor era menor do que a distância onde eu gostaria que ficasse o teclado, acabava obrigado a fazer alguma concessão: ou teclava com os braços esticados e os olhos apertados para enxergar a tela, ou agüentava a idéia de ficar com os braços colados no corpo como Horácio a fim de poder enxergar tudo de maneira adequada.

Quando meu computador principal passou a ser um notebook, o problema piorou. Como o teclado está inapelavelmente ligado ao monitor, passei a ter uma restrição também em relação à altura do monitor. Ou seja, além de Horácio, agora corria o risco de ficar corcunda.

A primeira e óbvia solução foi aquela lá em cima: comprar um mouse e um teclado, e colocar o notebook sobre alguma espécie de suporte. No entanto, este método só resolve o problema da altura do monitor, mas continua limitando a distância do teclado.

Por meses, desenvolvi gambiarras que resultassem em um design simples, porém prático: uma espécie de arco, sobre o qual pudesse ficar o computador e sob o qual eu poderia enfiar o teclado sem limitações de profundidade. Uma tábua apoiada sobre algumas caixas de fitas VHS; uma placa de compensado apoiada sobre duas latas de tinta e assim por diante.

Foi quando, depois de algum tempo fuçando em lojas de informática e no Mercado Livre atrás de um suporte adequado, me dei conta que o que eu queria já havia sido inventado, mas eu estava procurando no lugar errado. Assim, aproveitei o intervalo do almoço de segunda-feira para dar um pulo numa Americanas Express e voilà: R$ 14,90 por uma mesa de café da manhã.

Altura ideal, largura perfeita para passar um teclado sem complicações, e um preço mais do que razoável. E ainda por cima, ajuda a poder ver filmes e séries enquanto deitado no futon da sala. Prevejo um rápido aumento na produtividade.

sacola

Pesaroso com a notícia da morte do sr. Marcello Zaffari, neste domingo ouvi o chamado do Rio Grande e resolvi que mostraria meu valor, sem me dobrar às imposições desta nublada capital paulistana.

Primeiro, saí para almoçar decidido a comer churrasco. Infelizmente, a batalha por encontrar uma churrascaria minimamente próxima de casa e com preço em conta foi infrutífera. Resignado, acabei por me satisfazer com uma picanha grelhada, acompanhada de maionese, num restaurante do shopping Iguatemi.

cacetinhos

Não satisfeito, e precisando renovar meus mantimentos, resolvi encarar a viagem de sete quilômetros ao shopping Bourbon Pompéia, para fazer um rancho no Záffari (assim mesmo, com acento). Em homenagem ao falecido presidente, desta vez fiz questão de comprar o máximo de produtos tipicamente gaudérios que faziam sentido às minhas necessidades, deixando tudo devidamente registrado ao chegar em casa.

Cacetinhos, cuca, Pastelina, doce de leite Mu-Mu, amanteigados Stoffel, leite e laticínios Santa Clara, está tudo no meu Flickr, para quem quiser conferir. Ao contrário do que já ouvi alguns afirmarem, novamente não vi cerveja Polar sendo vendida (o que, de maneira alguma, me deixa triste). Também, a famosa mostarda do Rib’s estava em falta, e continuo achando uma lástima que o excelente pão da Taauge não chegue até aqui.

biscoitos

Não tirei fotos do supermercado, em si, por duas razões: primeiro, porque não queria ficar carregando um trambolho de máquina fotográfica e, segundo, porque ele se parece com qualquer Zaffari que vocês já tenham visto. O que provavelmente farei, uma hora dessas, para mostrar aos que não conhecem, é tirar uma foto de um Pão de Açúcar, Compre Bem ou equivalente, para terem idéia da bagunça e sujeira que lá se encontra.

E agora, com licença, que vou lá comer um pouco de Sorvelândia de Papaya.

Nem bem fiquei sabendo da vinda da Dave Matthews Band ao Brasil, e a capital paulista me oferece a oportunidade de realizar mais um sonho de longa data: provar a carne do red king crab.

Não sou viciado em séries televisivas – felizmente, visto o fato de que ainda não tenho televisão aqui em São Paulo. Algumas produções, no entanto, atiçam meu interesse o suficiente para que eu apele ao p2p mais próximo para baixar seus últimos episódios. E já há algum tempo, Deadliest Catch (Pesca Mortal, por aqui) está nesta lista.

Ver que existem pessoas disputando espaço em um daqueles frágeis navios, para ter a chance de passar alguns meses em um trabalho inglório – temperaturas ridiculamente baixas, jornadas de trabalho de mais de 40 horas ininterruptas, e a possibilidade nada desprezível de ser morto no processo – nunca deixa de me impressionar. E fico imaginando o quão fantástica deve ser a carne daqueles caranguejos.

No entanto, a julgar pelo que diz a matéria da Folha, vou continuar tendo que imaginar. Meu salário ainda está longe de poder arcar com uma janta a R$ 250 o quilo, em restaurante chique de São Paulo. Mas, pelo menos, saber que seria possível se eu tivesse a grana, já me deixa um pouco mais feliz.