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Da janela do apê

Enfim, estou de casa nova. Ou apartamento, para ser bem específico. E esta vista do belo prédio do Centro Brasileiro Britânico é o que se enxerga da minha nova janela.

Ainda que tenha trocado de bairro – da Vila Madalena para Pinheiros -, na verdade estou a coisa de quatro quadras de distância da morada antiga. De morador de uma comuna em uma mansão digna de uma pornochanchada, passei a exclusivo morador de um diminuto apartamento de 40 m² ainda precisando de uma série de utensílios e móveis.

As próximas semanas serão de dar ordem à bagunça, começar a mapear e controlar os gastos, e comprar alguns itens de necessidade básica, começando por uma cadeira de escritório para o meu quarto, antes que eu acabe arranjando um problema de coluna. Muita diversão e confusão me esperam.

Mesmo quando ainda não tinha um notebook, sempre tive problemas para me sentir confortável usando um computador. Como a distância ideal para o monitor era menor do que a distância onde eu gostaria que ficasse o teclado, acabava obrigado a fazer alguma concessão: ou teclava com os braços esticados e os olhos apertados para enxergar a tela, ou agüentava a idéia de ficar com os braços colados no corpo como Horácio a fim de poder enxergar tudo de maneira adequada.

Quando meu computador principal passou a ser um notebook, o problema piorou. Como o teclado está inapelavelmente ligado ao monitor, passei a ter uma restrição também em relação à altura do monitor. Ou seja, além de Horácio, agora corria o risco de ficar corcunda.

A primeira e óbvia solução foi aquela lá em cima: comprar um mouse e um teclado, e colocar o notebook sobre alguma espécie de suporte. No entanto, este método só resolve o problema da altura do monitor, mas continua limitando a distância do teclado.

Por meses, desenvolvi gambiarras que resultassem em um design simples, porém prático: uma espécie de arco, sobre o qual pudesse ficar o computador e sob o qual eu poderia enfiar o teclado sem limitações de profundidade. Uma tábua apoiada sobre algumas caixas de fitas VHS; uma placa de compensado apoiada sobre duas latas de tinta e assim por diante.

Foi quando, depois de algum tempo fuçando em lojas de informática e no Mercado Livre atrás de um suporte adequado, me dei conta que o que eu queria já havia sido inventado, mas eu estava procurando no lugar errado. Assim, aproveitei o intervalo do almoço de segunda-feira para dar um pulo numa Americanas Express e voilà: R$ 14,90 por uma mesa de café da manhã.

Altura ideal, largura perfeita para passar um teclado sem complicações, e um preço mais do que razoável. E ainda por cima, ajuda a poder ver filmes e séries enquanto deitado no futon da sala. Prevejo um rápido aumento na produtividade.

mr. rosemberg

Uma freqüente reclamação feita pelos que ficam, em relação àqueles que mudam-se de cidade, é de começarem a falar de pessoas exclusivas de seu novo mundo como se fossem conhecidos de longa data. Além disso, o Emiliano diz achar que estou morando em um aparelho do MR8, devido à falta de pessoas nas fotos de casa.

Assim, começo a apresentar-lhes as pessoas mais constantes nesta minha vida paulistana. E nada mais justo e inevitável do que fazê-lo começando pelo Gabriel, o rapaz tão bem retratado na fotografia acima, de autoria de Pedro Jansen.

Quando entrei na Live, há mais de um ano, ele era um ser um pouco misterioso, o psicólogo que vivia viajando para fazer pesquisas e cujo trabalho eu não compreendia inteiramente. Mal sabia eu que tínhamos estudado no João XXIII na mesma época, que ele era primo do Beto, e que tínhamos vários amigos em comum (23, segundo o Orkut).

Além disso, é certamente o principal culpado por hoje eu estar em São Paulo, e por morar nesta casa. E, claro, minha fonte oficial de motorização na cidade (seja em caronas para a Live, ou em empréstimos automotivos para deslocamentos eventuais, devidamente retribuidos na forma de frete ou ajuda na gasolina).

Nos próximos dias, tento arranjar fotos igualmente boas do Gui e da Carol, para apresentá-los a vocês. Se não conseguir, dou um jeito de o Pedro vir dormir aqui um dia, e fazer isso por mim.