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Av. Sumaré, São Paulo/SP

Meu carro, para quem não sabe, ainda está em Porto Alegre, sob os suspeitos cuidados de minha mãe. Ter um dos carros mais roubados do país e morar num dos bairros com maior incidência de furto e roubo de carros na cidade, resulta em um seguro proibitivo.

Graças à caridade e boa vontade do Gabriel, no entanto, isso não significa que eu já não tenha começado a me aventurar pelas ruas da cidade. Diferente das vezes em que vim para cá a trabalho, agora presto atenção ao máximo de detalhes nos meus deslocamentos pela cidade (de táxi, carona ou qualquer outro meio de transporte sobreterrâneo) para, quando tenho a oportunidade de dirigir, não me perder.

Até agora, tem funcionado. Já me aventurei pelos lados da Barra Funda e Pompéia (com direito a compras no Zaffari, o que merecerá um post só seu em breve), encarei a Marginal Pinheiros em viagens à USP e ao Shopping Villa Lobos, além de um passeio por Augusta e arredores – este com o Gabriel de co-piloto, é verdade. Nunca me perdi. No máximo, calculei errado alguma entrada e tive que fazer uma volta na quadra.

Para quem não conhece a cidade, nem está com vontade de recorrer ao Google Maps, é importante notar que nenhum desses percursos deve ter me levado a mais do que 10 km de casa. Mas, dado o curto tempo de moradia na cidade e o depender do empréstimo de carro alheio, podem ter certeza de que tenho me divertido horrores com essas oportunidades.

(foto do Flickr do Peterson Chaves)

Glock 17

Essa é uma Glock 17, sonho de consumo de longa data. Quando de minha vinda para São Paulo, ainda mais para morar em uma casa, a idéia de finalmente comprar uma tornou-se um pouco mais interessante – ainda que tenha que ser uma 25, devido às restrições de calibre no Brasil.

Pois nesta segunda-feira em que completo duas semanas na terra da garoa, tive a oportunidade de contemplar melhor as implicações deste tipo de decisão. Um filho da puta de um motoboy entrou na sede da agência (uma casa um tanto insegura na Vila Madalena), durante a tarde, e anunciou um assalto. Mandou todo mundo para o fundo da casa e, depois de um momento de indecisão – creio que por ver que tinha muita gente no local, e muitas áreas que ele não teria como cobrir sozinho -, saiu rapidamente, levando apenas o iPhone do chefe.

Ele disse estar armado. Sua linguagem corporal, e a maneira com que saiu tendo levado apenas um celular, quando tinha farto sortimento de computadores, carteiras e quetais à sua disposição, indicavam o contrário. Obviamente, ninguém chegou a pedir confirmação.

Passado o susto, e chamada a polícia (que, é importante dizer, apareceu por aqui em tempo recorde, como jamais imaginaria possível em Porto Alegre), ficou a indagação: e se eu estivesse armado? Verdade que a rapidez do cidadão não daria muito tempo para pensar em reação. Mas, pensando em retrospecto, a oportunidade existiu – ainda mais se eu não estivesse na sala imediatamente à frente da porta de entrada.

Agora, imaginem que eu realmente estivesse armado, tivesse reagido e, finalmente, matado o desgraçado. E que, depois, se descobrisse que ele, de fato, não estava armado. Vocês acham que eu estaria aqui, agora, escrevendo este post? Ou estaria preso em uma delegacia, tentando explicar o acontecido enquanto alguém achasse um advogado pra me tirar de lá?

Mas, no fim das contas, o que interessa é que já passei pelo meu primeiro assalto em São Paulo. Estatisticamente, era apenas uma questão de tempo. Espero que demore até o próximo, e possamos fazer bastante piada com esse de hoje.