uma típica experiência paulistana

Glock 17

Essa é uma Glock 17, sonho de consumo de longa data. Quando de minha vinda para São Paulo, ainda mais para morar em uma casa, a idéia de finalmente comprar uma tornou-se um pouco mais interessante – ainda que tenha que ser uma 25, devido às restrições de calibre no Brasil.

Pois nesta segunda-feira em que completo duas semanas na terra da garoa, tive a oportunidade de contemplar melhor as implicações deste tipo de decisão. Um filho da puta de um motoboy entrou na sede da agência (uma casa um tanto insegura na Vila Madalena), durante a tarde, e anunciou um assalto. Mandou todo mundo para o fundo da casa e, depois de um momento de indecisão – creio que por ver que tinha muita gente no local, e muitas áreas que ele não teria como cobrir sozinho -, saiu rapidamente, levando apenas o iPhone do chefe.

Ele disse estar armado. Sua linguagem corporal, e a maneira com que saiu tendo levado apenas um celular, quando tinha farto sortimento de computadores, carteiras e quetais à sua disposição, indicavam o contrário. Obviamente, ninguém chegou a pedir confirmação.

Passado o susto, e chamada a polícia (que, é importante dizer, apareceu por aqui em tempo recorde, como jamais imaginaria possível em Porto Alegre), ficou a indagação: e se eu estivesse armado? Verdade que a rapidez do cidadão não daria muito tempo para pensar em reação. Mas, pensando em retrospecto, a oportunidade existiu – ainda mais se eu não estivesse na sala imediatamente à frente da porta de entrada.

Agora, imaginem que eu realmente estivesse armado, tivesse reagido e, finalmente, matado o desgraçado. E que, depois, se descobrisse que ele, de fato, não estava armado. Vocês acham que eu estaria aqui, agora, escrevendo este post? Ou estaria preso em uma delegacia, tentando explicar o acontecido enquanto alguém achasse um advogado pra me tirar de lá?

Mas, no fim das contas, o que interessa é que já passei pelo meu primeiro assalto em São Paulo. Estatisticamente, era apenas uma questão de tempo. Espero que demore até o próximo, e possamos fazer bastante piada com esse de hoje.

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11 comentários sobre “uma típica experiência paulistana

  1. como eu disse, uma Glock 17 não seria opção no Brasil. caso tivesse uma 25 ou 28, sim, as teria em casa. originalmente, comentava isto no post, mas pareceu-me preciosismo.

  2. tambem tem uma terceira possibilidade, que tu nao contou: a do cara realmente estar armado, ver alguem armado e disparar contra qualquer um na tua frente. ou em ti mesmo.

  3. TICA: tem uma série de outras possibilidades. alguém fugir e chamar a polícia (coisa que teria acontecido, caso o cidadão tivesse se alongado por lá). a polícia chegar e apenas prender o cara, ou a polícia chegar e rolar um tiroteio. e assim por diante.

  4. Violência só gera violência, pequenino grão de areia! O cara tava disposto e preparado (mesmo que só mentalmente) pra aquela situação. Tu não. Por mais treinamento e sangue frio(fora que andar pela cidade com uma glock a tira-colo dá cadeia hoje) que uma pessoa normal tenha, a surpresa e agressividade que toda a situação proporciona tira qualquer tipo de controle. Esquece essa arma, e te lembra: “When the moon is in the seventh house and Jupiter aling with Mars…”
    Peace and Love®

  5. GUTO: com a derrota do estatuto do desarmamento, o porte de armas voltou a ser permitido. da mesma forma, se por um acaso eu fosse tê-lo, eu só o faria estando igualmente ou mais preparado para a situação do que o maldito motoboy (para sequer cogitar ter porte de armas, é necessário farto e constante treinamento).

    de toda forma, agora vejo que devia ter deixado mais claro: nunca cogitei portar uma arma no dia a dia, aqui em São Paulo. a idéia seria tê-la em casa, apenas. o questionamento levantado pelo episódio de ontem foi mais uma maneira diferente de contar para todos que fui assaltado, do que uma real consideração de andar por São Paulo carregando uma Glock ou o que quer que seja.

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