Donde tenemos nuestra primera experiencia con el idioma español

Desde o momento em que a viagem foi confirmada e as passagens, compradas, só um assunto me causava um certo desconforto: o fato de não falar uma palavra de espanhol. Apesar de oportunidades, por certo, nunca terem faltado, sempre elegi outras prioridades para gastar o tempo que poderia ter dedicado a aprender a língua dos vizinhos todos de continente.

Todos com quem falei diziam que a maioria dos uruguaios entende português e, de qualquer forma, as línguas são muito parecidas e com um pouco de boa vontade tudo se haveria de resolver. Nenhum, porém, deve ter levado em conta os efeitos de 1) ser extremamente tímido e 2) ser nerd.

Apesar de ser o único culpado por isso, fico um pouco envergonhado sempre que preciso falar português, acho uma certa falta de respeito com os uruguaios. Por outro lado, a ideia de falar espanhol sem ter um mínimo de noção do que estou dizendo e acabar com um portunhol cheio de agressões às duas línguas me parece ainda pior. Mais curioso de tudo, sempre que vou falar algo com alguém – numa loja ou restaurante, por exemplo – e vem aquela instrução “não fala português”, meu cérebro imediatamente muda para o inglês.

Então, durante o dia me pego fazendo três “exercícios de atenção”: o primeiro e mais necessário, prestar atenção no que todos à volta estão falando, para tentar entender e me acostumar ao máximo; segundo, tentar imaginar respostas ou comentários em espanhol, para me dar conta de quais palavras não sei a tradução correta, ou quais expressões preciso estudar melhor; e, finalmente, ficar suprimindo a tentação de pensar e falar em inglês por estar em outro país.

Isso, claro, é a parte nerd da coisa. Ainda é preciso levar em conta que, como ser tímido que sou, o fato de não me sentir confortável falando português ou tentando arranhar um espanhol faz com que eu tente evitar ao máximo situações onde precise falar com alguém. Pegar táxi, ir em lojas (e se o vendedor falar algo depois que eu disser “nada, gracias, solo miro”?) e restaurantes não self-service etc.

Ou seja, é impressionante que eu sequer seja capaz de levantar da cama e trabalho todo dia, o que dirá sobreviver e me alimentar nessa cidade.

E apesar disso, tanto no falado como, especialmente, no escrito, confesso que jamais imaginei que fosse entender tanto do espanhol apenas baseado em sua semelhança com o português. Imagino que ser gaúcho possa ajudar um pouco (tanto por pegarmos certas palavras e expressões emprestadas, como pela frequência com que lidamos com turistas uruguaios e argentinos), bem como o sotaque uruguaio. Ainda assim, fico tranquilo que no caso de a van na qual vou para e volto do trabalho estrague, vou conseguir me comunicar minimamente com os outros passageiros para arranjar uma maneira de chegar em casa (ainda que vá chegar em casa completamente exausto).

P.S.: a nerdice ainda serviu para outra boa curiosidade, que foi descobrir a real diferença entre “castelhano” e “espanhol”. Que é, rigorosamente, nenhuma. O termo “castelhano” costuma ser usado por razões políticas – seja por regiões da Espanha com outras línguas nativas (como basco, catalão ou galego) como por certas ex-províncias – por se referir mais especificamente à língua falada na região do que já foi o reino de Castela (e hoje são as regiões de Castela e Leão, e Castela Mancha).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s