Pepe, e como ficam os viciados em bom café?

Dos poucos comentários e sugestões feitas por amigos antes de minha vinda para o Uruguai, o que mais me chamou atenção dava conta da dificuldade (quiçá inexistência) de achar café bom em Montevidéu. Ora, se mesmo em São Paulo é possível contar em uma mão os lugares onde se encontra um café realmente bom, o quão pior poderia ser a capital de um país entre o Brasil e a Argentina? “Bastante”, é a resposta.

Comecemos pelo choque mais óbvio e imediato: o preparo padrão do café uruguaio é o café instantâneo. É isso mesmo, na maioria dos lares uruguaios se toma Nescafé (não tenho números oficiais, mas acho que é, de fato, a marca mais popular). E ainda que seja possível tirar um café instantâneo razoável, te-lo como preferência nacional não é, de forma alguma, um bom sinal.

Pra piorar, parece quase impossível encontrar algum café melhor do que Melitta (ou “Senior”, por aqui) em qualquer supermercado. Com muita sorte, encontra-se algum pó italiano para espresso por R$ 100 o quilo, mas o normal é só encontrar Illy ou Juan Valdez, por coisa de R$ 400 o quilo. Verdade que ainda preciso visitar o Mercado Agrícola para poder avaliar o quão triste é a situação, mas depender de supermercados não é uma boa opção.

Tudo isso, no entanto, ainda não é TÃO diferente do que se vive no Brasil. Achar bom café em cidades como Porto Alegre e até o Rio de Janeiro envolve um mínimo de busca e planejamento. Mas por que, então, essa sensação de derrota, de que não existe café decente em Montevidéu?

A resposta ocorreu-me num McCafé do aeroporto de Carrasco, nesse último domingo. Matando tempo antes de a Camila embarcar de volta para o Brasil, lembrei-me que o café passado (ou “americano”) da rede do McDonald’s costuma ser uma alternativa à altura do Starbucks na categoria “bom e barato”, e resolvi testar sua versão uruguaia. Com lojas por toda a cidade, se o café fosse ao menos medíocre a vida já estaria bem melhor.

Primeira decepção: não parece existir a opção do café passado, aqui no Uruguai. Segunda decepção: o espresso que pedi estava, ao mesmo tempo, aguado e com gosto de queimado/torrado. E foi quando caiu a ficha de que o grande problema não é que seja difícil achar um bom café gourmet na cidade. O que gera o desespero é a constatação de que o café médio, aquele que bebemos no dia a dia, no café de uma livraria ou depois de um almoço, é absolutamente intragável. E essa, infelizmente, parece ser a realidade do Uruguai.

Será que a Isabela Raposeiras não quer abrir uma franquia do Coffee Lab por aqui?

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