Espraiando fronteiras

Canto do Paúba

Logo que mudamos para São Paulo, nos enganamos (e a parentes e amigos) dizendo que “Porto Alegre nem é tão longe, é só 1h30min de vôo, tranquilo de dar um pulo num fim de semana pra matar a saudade”. Mas a verdade é que, entre fazer malas, chegar no aeroporto, embarcar, desembarcar e chegar em casa, a viagem dura de 3 a 5 horas. E cansa.

De maneira que não demora muito para que pareça um desperdício voltar a Porto Alegre só por um fim de semana. E não resta alternativa a não ser pegar a estrada e sair a conhecer São Paulo. Assim, acompanhados de um casal de amigos, eu e Mirella aproveitamos algumas facilidades logísticas para, no último fim de semana, conhecer Paúba, um dos únicos (quiçá o único) lugares do Brasil onde o Sol se põe no mar.

Fomos devorados por borrachudos – ao que parece, uma praga constante nas praias do litoral paulista -, tomamos capirinha e comemos churrasco, dormimos até não aguentar mais, e a Mirella me ameaçou com a Lei Maria da Penha porque se machucou toda tentando segurar lançamentos de uma bola de futebol americano. E não vimos o Sol se pôr no mar, já que isso só acontece no verão.

Pastel Trevo de Bertioga

Na volta pra casa, ainda fizemos uma parada para comer esse delicado quitute aí da foto, o famoso Pastel do Trevo de Bertioga, e riscar mais um dos 1001 destinos brasileiros na lista da Quatro Rodas. Além de ter ampliado as estradas pelas quais já andei, agora somando a Mogi-Bertioga e a Rio-Santos. Enfim, um belo fim de semana.

Adendo: antes que a Mirella venha me corrigir, explico que ela já conhecia Paúba – tendo passado muitos veraneios lá quando jovem – bem como o pastel – onde parava para comer com seu pai, em todas essas idas à praia em questão.

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NON DVCOR DVCO

Dia desses o Tiago, um de meus amigos de mais longa data, escreveu no blog da Perestroika, depois de uma vinda a SP, que:

Toda vez que eu venho pra cá, fico com a mesma sensação. De uma cidade cinza, esfumaçada e sem sal. Sem alma. Sem a personalidade que as maiores cidades do mundo têm.

Ao que prontamente respondi que ele estava tendo a típica reação de alguém que conhece São Paulo de dentro de um táxi. Na verdade, confesso que o post me incomodou por uma razão bem simples: porque iria incitar todo aquele estúpido ufanismo gaúcho que é, talvez, a melhor razão para se querer sair correndo de Porto Alegre e manter a distância por um bom tempo. Sei que não era a intenção do Tiago, mas vocês podem olhar lá que o resultado nos comentários foi o esperado.

Porém, na semana em que São Paulo comemorou seus 456 anos, me peguei pensando o que, exatamente, me incomodava nessa declaração. A impressão de “cidade cinza” é tão exagerada quanto aceitável para alguém que só circule entre o inevitável circuito Jardins, Baixo Augusta, Vila Madalena e arredores – e seria um absurdo eu esperar que, em visita à cidade, alguém resolvesse ir conhecer algum bairro como o Morumbi ou Panamby. Da mesma forma, a questão da falta de horizonte é, sem sombra de dúvida, o que mais me incomoda e me faz precisar sair da cidade de tempos em tempos (de preferência pra pampa ou pro cerrado).

Também é verdade que abomino quem diz que “São Paulo tem tudo”, especialmente se completar com “contanto que se tenha dinheiro para pagar”. Primeiro, São Paulo obviamente não tem tudo – não tem Xis Coração ou pão Taauge, pra ficar em exemplos prosaicos -; segundo que alguém que, como o Tiago, “tem dinheiro pra pagar”, não precisa morar aqui para apreciar o que a cidade lhe oferece.

Até que, em meio a posts e matérias sobre o aniversário da cidade, dei de cara com o non dvcor dvco, aquela frase tão vista que acaba passando sempre batida. E ali me dei conta do que realmente gosto em São Paulo, e do que me fez achar que o comentário do Tiago era coisa de quem não conhece a cidade: as pessoas. Esta é a identidade, esta é a alma de São Paulo.

Pra quem não sabe, non dvcor dvco é o que consta na bandeira da cidade e quer dizer algo como “não sou levado, lidero”. E se isso não é a tradução exata da alma de São Paulo, então realmente isso aqui é só um aglomerado de 20 milhões de pessoas e eu estou ficando louco.

O reflexo mais óbvio disso é o que os idiotas citados lá em cima acabam enxergando como a “cidade que tem tudo”. Outros diriam que é “a cidade das oportunidades”. A verdade é que, para sobreviver a São Paulo é preciso abraçar esta filosofia, é preciso querer estar um passo à frente dos outros, sempre com medo de ser atropelado por quem vem atrás. E o resultado disso é que aqui, como em nenhum outro lugar do Brasil que conheça, se encontra pessoas preocupadas em não se acomodar, em trabalhar e viver sempre em busca de algo mais.

E isto é algo que, sinceramente, só é palpável depois de um bom tempo morando na e vivendo a cidade. Conversando com pessoas desde taxistas e atendentes em algum pé sujo, até colegas de trabalho e novos amigos feitos ao longo do caminho. E não é, certamente, algo que sirva de atrativo pra todo mundo. De todos meus amigos em Porto Alegre, acho que consigo contar nos dedos de uma mão aqueles que acho que teriam o ânimo e a guarda baixa para vir a aproveitar isso. E, querem saber? O Tiago é um deles.

Então, ainda que alguns dias atrasado, é esta a minha homenagem à São Paulo que hoje é minha casa e me trata tão bem desde que aqui cheguei.

Balanço de um ano

goodbye by paulobro

Não fosse lembrado por um e-mail do meu pai, teria passado em branco, mas o fato é que, no último dia 14, completei um ano como morador de São Paulo. No dia 19, aparecia o primeiro post por aqui.

Sendo este um blog cuja principal função é atualizar os que ficaram distantes sobre o cotidiano paulistano, pareceu que este seria um momento protocolar de fazer algumas considerações sobre a experiência, até agora.

A CIDADE
Demorou para sentir-me um morador de São Paulo. Não consigo citar um momento específico, mas posso garantir que não foi antes de mudar de emprego e de casa que me livrei daquela sensação de estar viajando a trabalho, podendo voltar pra casa a qualquer momento.

Hoje, no entanto, não me imagino morando em outro lugar do Brasil. Pensar num futuro profissional aqui é pensar em fazer coisas diferentes, em um monte de gente fazendo coisas legais, experimentando e descobrindo oportunidades. E é algo que, sinceramente, nenhuma outra cidade me passa – especialmente não Porto Alegre, onde parece que qualquer mercado é dominado por uma ou duas grandes empresas, com pouco ou nenhum incentivo para inovar.

Por outro lado, morar em São Paulo é abrir mão de algumas coisas importantes, o que me faz achar que meus dias por aqui estão contados. É uma cidade barulhenta, poluída e com gente demais. Mesmo que tivesse dinheiro para, por exemplo, morar em uma casa em um bairro mais afastado e sereno, não teria como fugir de um trânsito infernal diariamente.

Mas, por ora, os prós são muito superiores aos contras.

A VIDA
A vida segue interessante, por assim dizer. Ainda há muito por arrumar, muito por se ajeitar. A mudança ainda não foi totalmente resolvida, as finanças ainda não foram normalizadas depois da chegada da Mirella, e uma série de frilas impede que tenhamos o tempo e a calma necessários para tentar botar ordem nas coisas.

Porém, como diria o pai do Calvin, tudo isso ajuda a construir caráter. É bom sentir-se fora da zona de conforto, ainda mais se coisas boas aparecem no horizonte. E o que mais importa, que é a vida em casal, vai muito bem, obrigado.

ENFIM
O resumo da ópera, então, é que tudo vai bem, e que morar em São Paulo está sendo uma ótima experiência. Aos que quiserem ver ao vivo, a casa é pequena mas há um colchão para receber as visitas. Só não pode reclamar da bagunça.

E que venha mais um ano. Quem sabe, com posts mais frequentes.

Keep calm and carry on

Como havia dito quando do post sobre a chegada da Mirella, esperava-se pra dali alguns dias a chegada da mudança e seus subsequentes efeitos positivos, como o de passar a ter panelas em casa. No entanto, entre uma casa que nem cama tinha para um verdadeiro lar, há que se passar por um processo de bagunça e sujeira que parece que nunca irá acabar.

Antes e durante: cozinha

Primeiro, claro, houve pelo menos uma semana de tensão e enrolação entre a data que a Giulian Mudanças prometeu que a mudança chegaria e essa efetivamente aparecer por aqui. Mas, como a espera total foi de menos de 10 dias e tudo chegou no mesmo estado em que deixou Porto Alegre, consideramos que esta parte do processo foi um sucesso total, visto as histórias de horror por que muita gente acaba passando.

Antes e durante: sala

Duas semanas depois, quase tudo já está esvaziado. Como previsto originalmente, foi preciso um pouco de improvisação para encontrar espaço para tanta roupa e sapato. Também, como comentei no Twitter, fiquei realmente impressionado com a quantidade de copos que não parava de surgir das mais variadas caixas. E agora é a NET que, como previsto, está nos enrolando na transferência do serviço de POA pra cá – um pouco, verdade, por culpa da Mirella que acabou trazendo o modem para cá, ao invés de deixá-lo para ser entregue com o decodificador, em seu apartamento antigo.

Enfim, tudo dentro do esperado. Novidades virão conforme o desenrolar dos dias.

Chegou chegando

Mirella ao computador

Para todos remotamente interessados, não há de ser novidade. Porém, ainda assim merece o registro: desde o último domingo, a srta. Mirella Nascimento trocou a valorosa capital gaúcha pela terra da garoa e, agora, coabita este diminuto apartamento comigo.

Depois de oito anos de RBS, deixa a edição do ZH Moinhos para ser editora júnior no G1, ou seja, deixa a filial para prestar seus serviços à matriz. Ficamos, agora, na expectativa da chegada da mudança, que deve ser responsável por, enfim, tornar este habitáculo em um lar, munido de ítens básicos de sobrevivência como uma cama de verdade e panelas. Quem sabe, então, tomarei coragem de tirar fotos do dito cujo para dividir com quem as solicita.

Windows 2.0

Da janela do apê

Enfim, estou de casa nova. Ou apartamento, para ser bem específico. E esta vista do belo prédio do Centro Brasileiro Britânico é o que se enxerga da minha nova janela.

Ainda que tenha trocado de bairro – da Vila Madalena para Pinheiros -, na verdade estou a coisa de quatro quadras de distância da morada antiga. De morador de uma comuna em uma mansão digna de uma pornochanchada, passei a exclusivo morador de um diminuto apartamento de 40 m² ainda precisando de uma série de utensílios e móveis.

As próximas semanas serão de dar ordem à bagunça, começar a mapear e controlar os gastos, e comprar alguns itens de necessidade básica, começando por uma cadeira de escritório para o meu quarto, antes que eu acabe arranjando um problema de coluna. Muita diversão e confusão me esperam.

Então

Chuva, enfim

Entre o Twitter, conversas no MSN e listas de discussão, e a atividade lá no site de Rexona, desnecessário dizer que não morri. Mas quanto à falta de posts por aqui ou qualquer outro de meus blogs, a explicação é tão simples quanto estapafúrdia: o calor.

Sem ar-condicionado, ao chegar em casa não havia força de vontade nesse mundo para sentar em frente ao computador e ainda querer produzir alguma coisa. Mas, enfim, a chuva chegou, regou as plantas e refrescou a cidade. E depois de um sábado dedicado a botar o sono em ordem, o domingo apresentou-se dia produtivo, de organizar arquivos, planejar a mudança e, até, escrever em blogs.

Opa, mudança? Sim, mudança. Nesta segunda-feira, se Murphy e a burocracia de DOIS bancos permitirem, concretizarei minha mudança. Da mansão digna de pornochanchadas setentistas, passarei a habitar um minúsculo apartamento de 40 m², em frente ao Centro Brasileiro Britânico. Tudo para não mais sofrer as agruras de ter roommates.

Ou seja, pelos próximos meses, notícias não devem faltar para atualizar este cantinho aqui. Além disso, ainda estou devendo maiores detalhes sobre três viagens – a volta de POA para Sampa de carro, e idas a Santos e Campinas -, bem como breves comentários sobre coisas que tenho lido e assistido. Aos poucos, creio, o ritmo retorna ao normal por aqui.